domingo, 30 de janeiro de 2011

Ser professor é...


Acordar e perceber que o dia está apenas começando...

Encontrar num sorriso timído, a espera da confiança...

Ver um passo se tornar outro, e outro, um seguinte...

Ensinar as Letras, nem que seja por uma palavra...

Ser cúmplice, amigo ou quem sabe um amor inatingível...

Ser aquela que ri, que vibra e se delicia com as conquistas diárias...

É dizer '' você consegue'' e secar uma lágrima derramada depois de uma derrota...

É saber improvisar, quando os grandes pequenos precisam de palavras, ou sorrisos...

É não ter preconceitos...

É rir do riso, derramando o pranto...

É silenciar quando necessário...

E encorajar quando preciso...

É sentir o coração bater forte a cada tempo começado...

E desperdir-se quando é findo este tempo...

É saber que em nenhum lugar haverá um sorriso de compreensão...

Ou ver que os olhos brilharam quando a descoberta da palavra ''entendi" é pronunciada...

É se enbranquecer com o pó e recomeçar o novo dia...

É receber bilhetes de amor e carinho, quando tudo parece ofuscado....

É ouvir um ''fessora'' ou uma salva de palmas quando suas palavras agradam...

É fazer refletir com uma entonação baixa...

É incentivar quando nada parece dar certo...

E transformar o nada, em tudo....

É amar....

Ser amada...

Porque não odiada?

E ser conhecida...

Re-conhecida...

Apenas o sendo....

Professora!


Alessandra Silva

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O baú dos sonhos


Era ela uma princesa. Nada e tudo, tinha ao mesmo tempo. Tudo, porque era filha de Rei. Nada, porque algo lhe faltava. Mas ela sabia o que era. Entre mimossentia-se uma pequena ave presa numa gaiola de ouro. O que lhe faltava, era muito maior do que toda a riqueza e os lindos vestidos rosa de cetim. Por horas vagava pelo imenso jardime sentia um profundo vazio no coração. Precisava ter. E queria. Queria tudo? Queria muito? Não! Queria apenas ser FELIZ! E era triste! Tão triste! Aos súditos, o Rei ordenava que buscassem a Lua, o Arco-Iris e a mais doce criatura de todo o reino. Mesmo assim, aquele sorriso não tinha o brilho das estrelas. Nem o cintilante do Unicórnio. Decidiu presentear-lhe com algo grandioso. De alguma maneira, aquela tristeza percebida nos olhos da Princesa deveria desaparecer. Descobriu por uma Fada, que todos os dias, quando o Sol escondia-se para enamorar-se com Lua, o céu, derramava gotas cintilantes que reluziam ao olhar daqueles que contemplavam a FELICIDADE. Ordenou mais uma vez. Os suditos deveriam recolher as gotas; das mais variadas cores e colocá-las num baú azul turqueza com chave em formato de ilusão. Assim foi feito. O Rei entregou à doce princesa o baú que ao abrir uma pequenina fresta viu transparecer do delicado rosto um formoso sorriso. Aquele, sem dúvida, fora o melhor presente que poderia ter recebido. Abraçou o baú e correu em direção ao jardim. Escondeu-se à sombra daquela que fora sua companheira por tantas brincadeiras. encostou-se, e lá adormeceu. O que lhe faltava, agora lhe pertencia. Preso em suas mãozinhas. Desfrutara de toda magia que possuiam aquelas gotas coloridas. Pegou uma gota cor-de-sol e percebeu que podia voar nas nuvens. Pegou outra cor-de-esperança e se viu escorregar no arco-iris. Em mais uma cor de alegria, viu-se cavalgando no Unicórnio, lilás como sua fita. Adormeceu ali mesmo. Ao despertar, já era noite. Um cheiro de jasmim escorregou-lhe pela face em língua de unicórnio. Olhou. A seu lado, o baú. Abriu. Estavam todas lá. As gotinhas. E os sonhos. Com ela. Sempre. E a alegria de sonhar. E de ser feliz.


Alessandra Silva

Queria Poder


Queria ser acordada por um beijo carinhoso

Ter meus cabelos acariciados à luz da lua

Dormir com a brisa tocando meu rosto

Sentir um frio no pescoço por tua presença.

Queria olhar nos teus olhos...

compreendê-los, apenas.

Queria admirar o balanço das folhas

Queria sentir o cheiro do chão molhado.

Queria o acalento dos teus braços

Ouvir sussurros em meus ouvidos.

Queria deitar na grama e dar nome às nuvens.

Queria rir da dança das flores

Queria caminhar de mãos dadas ppor uma longa estrada...

Sem fim.

Queria correr com o vento e repousar na relva

Queria recostar-me no teu peito e contar as estrelas

Queria olhar o horizonte e ver o futuro que nos pertence

Queria teu cheiro no cobertor

Assistir o espetáculo da vida passando pelos meus olhos.

Queria sentir teu rosto tocando o meu.

Queria Poder?

Amar.

Viver?

Vivermos.

Queria poder.

Apenas Poder.


Alessandra Silva

Vida


Busquei o segredo de minha existência. Esperava encontrar um tesouro por tempos tão procurado. Queria tê-lo em minhas mãos assim como a esperança que o procurava. No astro, a claridade para minhas inquietações. Nao era mais um sonho, afinal. Pertencia-me naquele momento. Vivo, claro, límpido e ao mesmo tempo brilhante. Era tão minha quanto a lua pertence ao firmamento. Descobri meu firmamento. ERA MINHA VIDA!


Alessandra Silva

O menino da lua


Há muito tempo atras, antes do meu avô ser criança, havia um menino que morava na lua. Era filho da noite e chamavam-lhe Nedyn, o menino da lua. Saltitava, no doce encanto da aurora, de estrela em estrela, qual pastor e guardião. Vestia uma capa preta e comprida e na cabeça um chapéu de abas cor de arco-iris e pontiagudo. Como companhia, tinha uma bola azul que com ela corria pelas voltas do tempo. Ninguém nunca o vira descer de lá; porém, muitos acreditavam que o menino de capa preta era encantado. Ainda alguns diziam que a noite era limpa e clara devido ao grande mistério que o envolvia naquela doce fantasia. Gildren, um pequeno que confidenciava todos os seus segredos de menino à lua, certa noite, fez um pedido que tantos outros meninos faziam. Queria conhecer a lua e saltar de estrela em estrela. Qual não fora sua surpresa, que ao adormecer, um barulho na vidraça em toque de flauta o despertara de um sonho. Um sonho de menino de conhecer planetas e desbravar o universo em uma nave de casquinha de sorvete. Era Nedyn, o menino da lua. Tal como Peter, viera buscar o pequeno para um grande sonho que ele mesmo tinha: ter um amigo. Surpreendido pelo susto , escondeu-se na cortina. E ficou ali. Buscando a coragem. De um lado do quarto, o sonho de conhecer a Lua. Na cortina, o sonho da amizade. Entre olhares assustados, reconheceram-se. Eram um só. Um só rosto, um só corpo, disfarçados pelo sonho e pelo desejo tímido. Ao tocarem-se, a surpresa: Tudo não passava de um sonho. Gildren era Nedyn. Nos finos dedinhos que agora forçavam-se em escapar pela capa preta, o encontro tornara-se inevitável. Não passava de um sonho. O sonho refletido pelo espelho. O espelho, refletido pela lua. A lua refletida pelo encontro. O encontro do menino. Com o menino da lua.

Quero


Olhos nos olhos como o espelho que reflete a alma

Serenata que sussura

Respingo com gosto de lágrima

Por-do-Sol com sintomas de saudade

Pés na água

Sabor de fruta que escorre pelos lábios

Vela e Poesia

amor em canção.

Tido?

Não passado...

Futuro na constancia da ilusão...

Traduzido em um só nome.

Nome?

Deveras ter.

Que deveras...

À você que colore meus dias....


"Amar nada mais é que o simples encontro de olhares que buscam pela simples razão do existir."